Salamaleiko

bem vindo ao blog de contos, crônicas, poesias e manifestações artísticas do Poeta Vagabundo, este não é um blog diário, alguns textos são longos, requerem maior paciência do leitor, e para aqueles que acham os intervalos das postagens demasiado longo, rogo lhes que investiguem as postagens mais antigas, pois este blog tem conteúdo para um livro. e o Roco sempre contribui com suas telas.
agradeço pelo calor dos comentários, eles me dão força para continuar...
grande beijo do Poeta vagabundo.




Ps I: conteúdo registrado na biblioteca nacional

PsII: fiquem a vontade para críticas e comentários....dúvidas poderão ser respondidas...ou não...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Juízo Final



descobri meu destino

e caminho pelo ócio da vida

o dia espera a noite

a noite espera o dia

profetas de plantão

e teorias absurdas

questionáveis existências

cegos pela fé

rastejam de joelhos

é a busca do perdão...

salvação.....

evolução........

revolução...........

e o caminho sem volta

das noites e dias.



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lat'aqui

quantos pensamentos pensam
quantos sonhos sonham
quantas dores doem
quantas vidas vévem
pensam e sonham e doem
mas vévem nesse vai e vem
esférico....esparso.
No espaço de esferas
soltas no ar que prende
a vida no corpo
que vévi e sente
o sentido e espera

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Uma garça(acrílico sobre tela 70x100)

 





"Eu sou como a garça triste"Que mora à beira do rio "As orvalhadas da noite"Me fazem tremer de frio."Me fazem tremer de frio"Como os juncos da lagoa;"Feliz da araponga errante"Que é livre, que livre voa."Que é livre, que livre voa"Para as bandas do seu ninho,"E nas braúnas à tarde"Canta longe do caminho.Tragédia do lar: Castro Alves






                                                                                                                              

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dai-me




acendi uma vela p'ro cão
e fiz uma oração a Deus:
Dai-me paz e ciência
e que eu possa auxiliar
a iluminar o caminho da escuridão
vamos todos ascender
para que só haja luz







sábado, 23 de abril de 2011

Sol Tribal (espelho-65 cm de diametro)


Contam as lendas que a verdade foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho. Quando o espelho estava chegando sobre a face da terra, quebrou-se e partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados. As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele havia-se partido. Por isso, aquele que encontrava um dos pedaços acreditava que tinha nas mãos a verdade absoluta, quando na realidade possuía apenas uma pequena parte dela
O Espírito Eros, psicografou através de Divaldo Pereira Franco

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Bastardos Inglórios.


avisa aí que vem chegando
a gente feia da periferia
no bolso de nossas roupas...
das lojas de liquidação
trazemos as gírias e nossa arte
indigesta e marginal


a inovação é um parto doloroso
de uma gravidez indesejada
que a d. Sociedade não conseguiu abortar
somos a nova safra
na saga dos renegados


agora os filhos bastardos
voltam a casa do pai
mas não somos os pródigos
estamos livres das regras do criador


nossa ginga e nossa arte
sofrimento transformou
em combustível para nosso sorriso
de dentes tortos e idéias francas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fantasma nostálgico

Ectoplásmico amigo, ainda bem que você existe, essa casa não seria a mesma não fosse sua presença fantasmagórica. Quando tu passa arrastando suas correntes ectoplasmáticas, para mim é motivo de alegria e regozijo. Sua presença assusta e afugenta a solidão. Solidão , isso sim me assombra, e sua presença enche essa casa de movimento, me é companheira nas noites insones, nessa fria alcova solitária, onde me abandono, onde me exilo. Não sei se sou exilado ou meu exílio é por vontade própria, não sei se abandonei a todos ou se todos me abandonaram. mas cá estou...eu e você.
Mas carinhosamente digo, antes eu e você do que eu e a maldita solidão, pois a solidão não é minha amiga, é uma traiçoeira que vem chegando de mansinho, com seus passos felinos, com seu charme vadio. É como uma droga, em que no começo te enche de prazer , se faz ótima companheira, mas assim como a droga, a solidão é ciumenta, egoísta e te quer mais e mais, e exige de ti mais e mais, o fato: me tornei um escravo da solidão,. Agora você me surge como uma alma bondosa e salvadora, quem és tu minha boa amiga? Quem veio ao meu martírio? Qual espírito divino te enviou ao meu socorro? Diga me como poderei retribuir lhe este préstimo inestimável?
Agora tenho a você, e quando a solidão me aprisiona em sua temível madrugada de tortura você com suas correntes barulhentas e seus urros e berros guturais a afugenta para o longe, e o longe que se entenda com ela.
Ela te teme, mas eu não, eu lhe tenho gratidão, você ilumina minhas noites com seu corpo espectral , traz luz onde só havia escuridão, e contrariando oque todos pensam, você também é luz, você também tem sua luz, mas penso que ainda não percebeu, então não adianta ficar arrastando suas correntes e armando todo esse griteiro que eu não tenho medo. Melhor seria você sentar aqui na beira da minha cama e me contar uma história, quiça a tua história, afinal é só isso que nós somos mesmo. A minha história você quer saber? Se não me contar a tua, eu conto a minha, e olha que se eu contar , você irá chorar, e eu nunca vi fantasmas chorando, embora você seja o primeiro fantasma que eu conheço na minha vida. Você é um fantasma solitário, eu sei, nunca te vi com nenhum outro por aqui, você é um solitário como eu. Então já que estamos fazendo companhia um para o outro, nada mais justo que nos apresentarmos, quiça tomar um café. Fantasmas tomam café? E oque você faz durante o dia, nunca te vejo quando a grande luz ilumina essa casa vazia e poeirenta, mas diz uma música que a noite a dor da solidão é mais forte. Deve ser influência da lua, a lua é meio manhosa, talvez não seja, mas ela sabe como deixar a gente manhoso, ela é meio mãe judia ou italiana, e eu sou facinho de ficar mimado, e eu olho pra ela e ela me olha com aquela cara branca, e eu....sem mais e nem porquês me pego com os olhos marejados de lágrimas . Ternas lembranças... deve ser isso, e a solidão e as lembranças e tem vez que eu nem lembro, só a vejo lá no céu e já fico pura emoção, daí não é lembrança, é nostalgia, só não sei bem de que. Sabe quando a gente escuta aquela música, que nem gostamos tanto, mas ainda assim gostamos das lembranças que ela nos traz. Não sei....vou ver a lua pela janela dos fundos, se quiser, me acompanhe, mas vê se para de gritaria, conversa feito um fantasma adulto. Alias, nem sei se você é um fantasma ou uma fantasma, não sei se fantasmas tem sexo, sempre estão com esse lençol branco. Sei lá , deve ser igual anjo, e vai saber qual é o sexo dos anjos. Enfim...vamos lá, ver a lua pela janela, porquê lá fora ta muito frio e eu não quero que os outros fiquem sabendo que você mora aqui comigo, pode despertar a curiosidade do povo e depois tem mais, irão ficar dizendo que a casa é mau assombrada, e sem saber, porque a única coisa que você faz e ficar arrastando essas correntes velhas e enferrujadas e fica gritando igual bebezinho que quer mamar, e por falar nisso, quer um leite quente, pode escolher, porque tem capuccino, solúvel, chocolate em pó, só não tem descafeinado, mas acho que você não se importa com isso. De qualquer forma irei fazer dois, o seu ta aí, se quiser é só pegar. E vou deixar essa outra cadeira aqui para você sentar, mas sem gritaria viu. Não adianta ficar bravo, porque eu não vou embora dessa casa, e nem quero que você vá, já te disse e repito, você é muito bem vindo aqui embora seja pouco comunicativo. Enquanto você não se abre comigo, irei falando, só que tem uma coisa viu, se você não me contradiz, irei tirando minhas próprias conclusões.. e uma eu já tenho certeza, você não é má pessoa, pode até ser um mal fantasma, porque não consegue me assombrar, mas má pessoa sei que não é , se fosse você não seria de luz, e disso já estou convencido, de repente, pode ter uma diferença entre fantasma e assombração, e espíritos zombeteiros, dizem que eles podem influenciar as pessoas inocentes a fazer coisas que não queriam, mas não sei não, inocentes são as crianças, e dizem que das crianças , Deus cuida pessoalmente, sei lá, será que cuida mesmo? Penso que ele cuide de todos pessoalmente, e vê tudo. Mas ele não é muito entrometido não, ele deixa por conta da gente. E tem gente que coloca a culpa nossa na conta dele. Sei que se estamos aqui, é graças a mim mesmo, e graças a Ele também, graças a Ele por estamos vivos, ops, eu estou vivo, você existe, então ….melhor dizendo, devemos nossa existência a Ele. Uau, eu já falei montes e você ta aí , caladão... rondando a sala, aqueta um pouco, senta aqui e toma o seu leite quente, melhor não misturar com nada esse leite, vai que mancha seu lenço né? E é você mesmo que lava seus lençois, porque você não tem companheira, , mas mesmo que tivesse, ela seria sua companheira e não sua empregada. Não sei se pensa assim, melhor pensar, porque as mulheres de hoje em dia não querem mais ser as Amélias dos seus maridos, querem direitos iguais, , nem sei se no mundo fantasmagórico também é assim, mas deve ser né, porque até onde eu sei, vocês coabitam esse mundo com a gente, e as fantasmas devem querer sua emancipação, afinal, elas devem estar por dentro de tudo que aconteceu naqueles loucos anos sessenta. Embora eu tenha uma certa dúvida se aquelas feministas estão contentes com o resultado de suas conquistas. E tem mais.... diz a sabedoria irlandesa que muito pra leste já é oeste, afinal, vivemos numa bola né. Então de que adianta ser feminista, feminista é uma variação de gênero do machismo, , não é igualdade entre os gêneros, é , não tem nada a ver com respeito mutuo, somos diferentes, isso é fato, e ainda bem que somos, mas isso não quer dizer que sejamos melhores que elas, ou elas melhores que nós. É que essa tal de raça humana é meo sem jeito mesmo, passa o tempo inteiro disputando, , como somos competitivos né? As vezes penso que seja por isso que me isolei, mas ainda assim não perco a fé nessa espécie. . Embora eu não consiga explicar bem oque seja essa tal de fé, só sei que ela é boa em doses homeopáticas, fé demais não cheira bem , hehehe, é uma piada, só pra ver se você melhora esse humor. . Rir é bom sabia. As vezes eu rio sozinho, claro....que bobo que eu sou, se estou sozinho irei rir com quem né!?sei que poderíamos dar boas risadas juntos e também chorar juntos. Você não encarna há quanto tempo? Fantasmas encarnam? Acho que não né...se encarnarem deixam de ser fantasmas. Mas de uma coisa eu tenho certeza, fantasmas são espíritas, do contrário, não seriam espíritos desencarnados mas diz ai meu amigo. Você é um fantasma espírita, católico ou protestante? Não que isso vá fazer alguma diferença na nossa amizade, acredito que podemos coexistir neste mundo indiferentemente de nossas crenças religiosas..ainda que você seja assim , meio caladão, eu gosto da sua companhia, a tempos que não conversava tanto com alguém. Sabe...as vezes é até melhor você ser assim caladão, porque tem pessoas que não aceitam opiniões divergentes, e, tem gente que briga até por um time de futebol, parece brincadeira né? Mas você já deve ter visto isso, se ao menos fosse algo relevante, mas qual a diferença que faz em nossas vidas se um torce para um time e outro torce para um outro diferente. Os fantasmam brigam por divergências de time? Acho que não...eles não seriam tão burros assim e deve ser bem mais divertido ficar assustando e pregando peças doque brigar por causa de time.. ao menos se fosse uma divergência política., mas ainda assim brigar não resolve, pois acabaria se tornando uma guerra, e guerra é uma coisa que não sei bem pra que serve, penso que deva servir para o ser humano mostrar que é pior que os bichos, que nós tanto criticamos, e chamamos de selvagens, de irracionais, , de tantas cosias que eles não são. Ou se são , ao menos tem a humildade de não se auto intitularem 'os seres racionais', embora eu já tenha percebido que são poucos os seres humanos irracionais, os outros só acompanham o fluxo, ou são governados ou simplesmente não utilizaram a racionalidade para pensar em algo. Mas também.... nãos sei como é para você no mundo fantasmagórico, mas aqui onde usamos lençóis para cobrir cama, o bicho pega viu, e se não trabalharmos para ganhar a vida, a vida nos ganha. .qual é seu trabalho, além de ficar aqui toda noite tentando me assustar? Antes eu trabalhava, mas depois do acidente, fiquei inútil para o trabalho, e como foi um acidente de trabalho, o governo me dá uma pensão para eu será um inútil, ao menos querem que eu pense que eu sou inútil, e muitas vezes eu até me convenço disso, outras vezes não. Mas aí todos já se convenceram que eu sou. Aí eu me isolo de tudo e de todos, e só saio de casa para buscar meu pagamento no banco, fazer compras e saldar contas, não quero mais ninguém me importunando, me perguntando como estou, oque aconteceu. Eu era um trabalhador braçal antes da queda fatal, nunca fui muito de estudar, , nunca fui muito de pensar, penso agora, que já não tenho nada pra fazer, só ficar remoendo minhas amarguras e minha auto piedade. Mas de tanto pensar, pensei que é melhor nem pensar nessas coisas, ando pensando em outras, como o o sexo dos anjos e dos fantasmas, e de como eu não sou um inútil, só não posso mais desenvolver as funções que desenvolvia antes, mas posso aprender outras coisas, o mundo foi feito para quem é inteiro e de pé, pouco pensam em quem anda de cadeira, em quem não enxerga, e quem por algum motivo deteriorou esse mecanismo complexo que é nosso corpo. Alguns já nasceram assim, sinto por eles, mas só resta a conformação, não sei oque é pior , se é nascer assim ou ficar depois, melhor nem saber, cada um sabe do seu, e eu sei que fico feliz por ter nascido perfeito, por ter andado de pé e corrido e nadado, nadar , ainda posso, não como antes mas posso, mas correr não, e enxergo muito bem também, pobre daqueles que nunca enxergaram, ou que perderam a visão, porque ver é muito legal, . Feliz aquele que já teve a oportunidade de ver, . Dizem que é melhor nascer pobre que ficar pobre depois de ter uma vida abastada. Não sei , talvez seja diferente para riquezas e pobrezas. Mas ambos tem seu lado ruim e seu lado bom. Talvez seja igual ….ah!!! sei lá esse assunto é deveras pesado, mas é a minha vida , e já que você não me fala nada da sua, como já disse, vou falando da minha.. mas quero que saiba que não sou triste, e nem magoado, só não to muito pra conversas com pessoas que me tratam diferente, e você nunca fez distinção, nem olhou para minha cadeira, já veio logo tentando me assustar, não fez cara de piedade e nem perguntas idiotas. . Você conquistou meu respeito. E como espirito de luz que sei que você é, esta me fazendo conquistar meu auto respeito outra vez, o respeito que a sociedade me fez perder. Me sinto muito bem em sua companhia.. queria que você fosse uma fantasma, faz tempo que não tenho uma companhia feminina.. não sei se me afastei da minha companheira ou ela se afastou de mim, ou se eu me tornei insuportável ponto de não ser boa companhia. Mas novamente sinto uma força interior capaz de me fazer lutar.. se o dia esquentar amanhã , quero sair, ir ver uma lagoa, me arrastar até a beira, comprarei uma bóia e arriscarei umas braçadas. A tanto tempo não nado, . Quiça dar uma passada em algum puteiro, ver mulheres nuas dançando, nunca fui fã destes serviços, acho injusto para com elas, é uja profissão muito difícil, mas ao menos estaremos em pé de igualdade, elas me olham com cara de piedade por eu ser um aleijado e eu me compadeço delas por vida tão difícil, a única diferença é que eu estou condenado até o fim desta vida, e elas não. Torço por cada uma delas,. E não consigo esconder minha cara de piedade assim como elas não conseguem esconder de mim o mesmo sentimento. Hehehe, essa é boa. Diz aí meu amigo, existem prostitutas no mundo fantasmagórico.? Se existir, é porque fantasma tem sexo, se não tiverem, não precisarão. E o mais interessante é que não existem fantasmas voyars, porque quando cai os lençóis , não se vê mais nada. Aí é só entre vocês.. adoro quando a lua ta cheia e fica atras de nuvens ralas, o clarão por de traz faz uma bela pintura não é? E eu fico dizendo né, né , né e você nunca responde, assim irão pensar que eu estou alucinando né? Hehehe devo estar ficando maluco mesmo, mas antes maluco do que só, e ainda que você seja caladão presta ainda pra me fazer companhia para admirar comigo minha maior paixão, deveria ser lobisomem, para cantar para lua, não faria distinção a lua nova, minguante, ou crescente ou cheia, uivaria para todas, quem eu to querendo enganar com essas histórias tristes, nem assustar consigo mais, as vezes aparece um bando de adolescentes para usar drogas, mas já estão tão alucinados que quando faço minha aparição, eles começam a rir, isso me faz sentir muito mal, as vezes apelo para aparições em forma de espírito e conto essas histórias tristes, mas se nem assustar consigo talvez comover e depois assustar? Do jeito que andam as coisas deveria contar uma piada, quiça faria algum sucesso, me divertiria um pouco com eles, mas é contra todas as regras fantasmagóricas, e isso qualquer um sabe, é só assistir um episódio do Gasparzinho, Outro dia contei minha história de fantasma para uma garota, seria para ela ficar assustada, pensei criar um mito em torno da minha casa, uma lenda urbana, mas ela se comoveu e chorou e tentou me dar colo, disse que poderia ficar tranquilo que era uma conversa entre amigos e não ira contar pra ninguém, tentei até um 'buh' final mas não se assustou, sorriu e me mandou um beijo e eu ando tão a flor da pele, que qualquer beijo de novela mexicana me faz chorar, quase que chorei no colo dela e nem imagino qual seja a punição para essa falta de ética profissional. eu sou um fantasma decrépito e solitário, desacreditado até de mim , se nem mesmo eu acredito em fantasmas como posso querer que acreditem em mim. embora eu seja só um fantasma velho, decrépito, solitário e decadente numa casa velha abandonada.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

profetas de plantão

Desde que descobri meu destino
caminho pelo ócio
chamado vida...
o dia espera a noite
a noite espera o dia

profetas de plantão
inventam teorias absurdas
tão questionáveis
como sua própria existência

enquanto os cegos ...
pela fé dormem de joelhos
em busca da esperada hora
da salvação

E o destino é sempre igual
o dia espera a noite descansar
enquanto a noite espera o dia final

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sol

já não tenho nem verdades
e nem mentiras pra contar
prefiro me calar
vou ver o tempo
e no sol vejo o caminho
e as estrelas lá no céu
me esperam com seus braços abertos

é mais um dia de luz
é mais que a água que brota da terra
pura e sagrada mãe terra me espera
pq o tempo não tem tempo
nem dia, nem noite, nem hora pra acabar

e a história da vida recomeça
infinitamente sob a luz do sol
que me alumia e me ensina a viver
sol, que me ensina a morrer
e me da tudo que eu tenho
para ser...
Sol

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Luz p'ro meu caminho

atravessei o deserto do mar
a procura de porto seguro
me perdi, fui procurar
uma estrela guia que me mostrasse
uma direção, um lugar seguro
e bom para ficar

o meio do caminho
a virtude, o vício
a cruz, a espada
tormentas, tempestades
ilhas de curiosidades

calmaria vem me acalmar
vento sereno, vem me conduzir
vem tu, Sereno, p'ra me orientar
luz a me guiar, no escuro azul do mar

por não conhecer, naveguei por mares de ilusão
naufraguei no coral da desobediência
vi lá longe a estrela da razão

e agora navego, sigo uma estrela
um ponto claro lá no norte

um guia a me nortear

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

jean

vou chorar
agora que estou sozinho
sem testemunhas
ninguém acreditará
que nesta laje
vi a noite cair

a tempestade vem com a noite
escurecendo o horizonte
te vi partir,
mas você acabou de chegar

estrela cadente, riscou meu céu

bate um vazio,
não vejo nada
e essa chuva salgada
lavou meu rosto inteiro

agora ando escrevendo palavras
sussurradas baixinho em meu ouvido
será pura alucinação
ou será um anjo a me consolar?

Não quero razões,
eu não preciso disso
se amar é sentir pena
não quero amar
e nem quero que ninguém me ame

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

a ultima pergunta

adoraria ter escrito este conto.....





A Última Pergunta (por Isaac Asimov)



“A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares movida a álcool, e aconteceu da seguinte forma:
Alexander Adell e Bertram Lupov eram dois dos fiéis assistentes do Multivac. Assim como qualquer ser humano podeira, eles sabiam o que se passava por detrás da carcaça (milhas e milhas de carcaça) luminosa, fria e ruidosa daquele gigantesco computador. Mesmo assim, os dois homens tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos que há muito haviam crescido além do ponto em que um simples humano poderia sequer tentar entender como um todo.
O Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois nenhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superficialmente, mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as necessidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram fornecidas. Os dois, assim como seus colegas, certamente tinham todo o direito de compartilhar da glória que era o Multivac.
Por décadas, o Multivac ajudou a projetar as naves e a traçar as rotas que permitiram ao homem chegar à Lua, Marte e Vênus, mas para além destes planetas, os parcos recursos da Terra não foram capazes de sustentar a exploração. Fazia-se necessária uma quantidade de energia grande demais para as longas viagens. A Terra explorava suas reservas de carvão e urânio com eficiência crescente, mas havia um limite para a quantidade de ambos.
No entanto, lentamente o Multivac acumulou conhecimento suficiente para responder questões mais profundas com maior fundamentação, e em 14 de maio de 2061, o que não passava de teoria tornou-se real.
A energia do sol foi capturada, convertida e utilizada diretamente em escala planetária. Toda a Terra paralisou suas usinas de carvão e fissões de urânio, girando a alavanca que conectou o planeta inteiro a uma pequena estação, de uma milha de diâmetro, orbitando a Terra à metade da distância da Lua. O mundo passou a correr através de feixes invisíveis de energia solar.
Sete dias não foram o suficiente para diminuir a glória do feito e Adell e Lupov finalmente conseguiram escapar das funções públicas e encontrar-se em segredo onde ninguém pensaria em procurá-los, nas câmaras desertas subterrâneas onde se encontravam as porções do esplendoroso corpo enterrado do Multivac. Subutilizado, descansando e processando informações com estalos preguiçosos, Multivac também havia recebido férias, e os dois apreciavam isso. A princípio, eles não tinham a intenção de incomodá-lo.
Haviam trazido uma garrafa consigo e a única preocupação de ambos era relaxar na companhia um do outro e da bebida.
“É incrível quando você pára pra pensar,” disse Adell. Seu rosto largo guardava as linhas da idade e ele agitava o seu drink vagarosamente, enquanto observava os cubos de gelo nadando desengonçados. “… toda a energia que for necessária, de graça, completamente de graça! Energia suficiente, se nós quiséssemos, para derreter toda a Terra em uma grande gota de ferro líquido, e ainda assim não sentiríamos falta da energia utilizada no processo. Toda a energia que nós poderíamos um dia precisar, para sempre e eternamente.”
Lupov movimentou a cabeça para os lados. Ele costumava fazer isso quando queria contrariar, e agora ele queria, em parte porque havia tido de carregar o gelo e os copos. “Eternamente, não.” ele disse.
“Ah, diabos, quase eternamente. Até o sol se apagar, Bert.”
“Isso não é eternamente.”
“Está bem. Bilhões e bilhões de anos. Dez bilhões, talvez. Está satisfeito?”
Lupov passou os dedos por entre seus finos fios de cabelo como que para se assegurar de que o problema ainda não estava acabado e tomou um gole gentil da sua bebida. “Dez bilhões de anos não é a eternidade.”
“Bom, vai durar pelo nosso tempo, não vai?”
“O carvão e o urânio também iriam.”
“Está certo, mas agora nós podemos ligar cada nave individual na Estação Solar, e elas podem ir a Plutão e voltar um milhão de vezes sem nunca nos preocuparmos com o combustível. Você não conseguiria fazer isso com carvão e urânio. Se não acredita em mim, pergunte ao Multivac.”
“Não preciso perguntar a Multivac. Eu sei disso”
“Então trate de parar de diminuir o que Multivac fez por nós.” disse Adell nervosamente. “Ele fez tudo certo”.
“E quem disse que não fez? O que estou dizendo é que o sol não vai durar para sempre. Isso é tudo que estou dizendo. Nós estamos seguros por dez bilhões de anos, mas e depois?” Lupov apontou um dedo levemente trêmulo para o companheiro. “E não venha me dizer que nós iremos trocar de sol!”
Houve um breve silêncio. Adell levou o copo aos lábios e os olhos de Lupov se fecharam. Descansaram um pouco, e quando suas pálpebras se abriram, disse, “Você está pensando que iremos conseguir outro sol quando o nosso estiver acabado, não está?”
“Não, não estou pensando.”
“É claro que está. Você é fraco em lógica, esse é o seu problema. É como o personagem da história, que, quando surpreendido por uma chuva, corre para um grupo de árvores e abriga-se embaixo de uma. Ele não se preocupa porque quando uma árvore fica molhada demais, simplesmente vai para baixo de outra.”
“Entendi,” disse Adell. “Não precisa gritar. Quando o sol se for, as outras estrelas também terão se acabado.”
“Pode estar certo que sim.” murmurou Lupov. “Tudo teve início na explosão cósmica original, o que quer que tenha sido, e tudo terá um fim quando as estrelas se apagarem. Algumas se apagam mais rápido que as outras. Ora, as gigantes não duram cem milhões de anos. O sol irá brilhar por dez bilhões de anos e talvez as anãs permaneçam assim por duzentos bilhões. Mas nos dê um trilhão de anos e só restará a escuridão. A entropia deve aumentar ao seu máximo, e é tudo.”
“Eu sei tudo sobre a entropia,” disse Adell, mantendo a sua dignidade.
“Duvido que saiba.”
“Eu sei tanto quanto você.”
“Então você sabe que um dia tudo terá um fim.”
“Está certo. E quem disse que não terá?”
“Você disse, seu tonto. Você disse que nós tínhamos toda a energia de que precisávamos, para sempre. Você disse “para sempre”.”
Era a vez de Adell contrariar. “Talvez nós possamos reconstruir as coisas de volta um dia,” ele disse.
“Nunca.”
“Por que não? Algum dia.”
“Nunca.”
“Pergunte ao Multivac.”
“Você pergunta ao Multivac. Eu te desafio; aposto cinco dólares que isso não pode ser feito.”
Adell estava bêbado o bastante para tentar, e sóbrio o suficiente para construir uma sentença com os símbolos e as operações necessárias em uma questão que, em palavras, corresponderia a esta: a humanidade poderá um dia sem nenhuma energia disponível ser capaz de reconstituir o sol à sua juventude mesmo depois de sua morte? Ou talvez a pergunta possa ser posta de forma mais simples da seguinte maneira: A quantidade total de entropia no universo pode ser revertida?
O Multivac mergulhou em silêncio; as luzes brilhantes cessaram, os estalos distantes pararam. Então, quando os técnicos assustados já não conseguiam mais segurar a respiração, houve uma súbita volta à vida no visor integrado àquela porção do Multivac. Cinco palavras foram impressas: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
Na manhã seguinte, os dois, com dor de cabeça e a boca seca, já não lembravam do incidente.
* * *
Jerrodd, Jerrodine, e Jerrodette I e II observavam a paisagem estelar no visor se transformar enquanto a passagem pelo hiperespaço consumava-se em uma fração de segundos. De repente, a presença fulgurante das estrelas deu lugar a um disco solitário e brilhante, semelhante a uma peça de mármore centralizada no televisor.
“Este é X-23.” disse Jerrodd em tom de confidência. Suas mãos finas se apertaram com força por trás das costas até que as juntas ficassem pálidas.
As pequenas Jerodettes haviam experimentado uma passagem pelo hiperespaço pela primeira vez em suas vidas e ainda estavam conscientes da sensação momentânea de tontura. Elas cessaram as risadas e começaram a correr em volta da mãe, gritando: “Nós chegamos em X-23, nós chegamos em X-23!”
“Quietas, crianças.” disse Jerrodine asperamente. “Você tem certeza Jerrodd?”
“O que está aí para se ter além da certeza?” perguntou Jerrodd, observando a protuberância metálica que jazia abaixo do teto. Ela tinha o comprimento da sala, desaparecendo nos dois lados da parede, e, na verdade, era tão longa quanto a nave.
Jerrodd tinha conhecimentos muito limitados acerca do sólido tubo de metal. Sabia, por exemplo, que se chamava Microvac, que era permitido lhe fazer questões quando necessário, e que ele tinha a função de guiar a nave para um destino pré-estabelecido, além de abastecer-se com a energia das várias Estações Sub-Galácticas e fazer os cálculos para os saltos no hiperespaço.
Jerrodd e sua família tinham apenas de aguardar e viver nos confortáveis compartimentos da nave. Alguém um dia disse a Jerrodd que as letras “ac” na extremidade de Microvac significavam “análogo computador” em inglês arcaico, mas ele estava próximo de esquecer até isso.
Os olhos de Jerrodine ficaram úmidos quando ela observava o visor. “Não tem jeito. Ainda não me acostumei com a idéia de deixar a Terra.”
“Por que, meu deus?” inquiriu Jerrodd. “Nós não tínhamos nada lá. Nós teremos tudo em X-23. Você não estará sozinha. Você não será uma pioneira. Há mais de um milhão de pessoas no planeta. Por Deus, nosso bisneto terá que procurar por novos mundos porque X-23 já estará super-lotado.” E, depois de uma pausa reflexiva, “No ritmo em que a raça humana tem se expandido, é uma benção que os computadores tenham viabilizado a viagem interestelar.”
“Eu sei, eu sei”, disse Jerrodine com descaso.
Jerrodete I disse prontamente: “Nosso Microvac é o melhor de todos.”
“Eu também acho,” disse Jerrodd, alisando o cabelo da filha.
Ter um Microvac próprio produzia uma sensação aconchegante em Jerrodd e o deixava feliz por fazer parte daquela geração e não de outra. Na juventude de seu pai, os únicos computadores haviam sido máquinas monstruosas, ocupando centenas de milhas quadradas, e cada planeta abrigava apenas um. Eram chamados de ACs Planetários. Durante milhares de anos, eles só aumentaram de tamanho, até que, de súbito, veio o refinamento. No lugar dos transistores, foram implementadas válvulas moleculares, permitindo que até mesmo o maior dos ACs Planetários fosse reduzido à metade do volume de uma espaçonave.
Jerrodd sentiu-se elevado, como sempre acontecia quando pensava que seu Microvac pessoal era muitas vezes mais complexo do que o antigo e primitivo Multivac que pela primeira vez domou o sol, e quase tão complexo quanto o AC Planetário da Terra, o maior de todos, quando este solucionou o problema da viagem hiperespacial e tornou possível ao homem chegar às outras estrelas.
“Tantas estrelas, tantos planetas,” pigarreou Jerrodine, ocupada com seus pensamentos. “Eu acho que as famílias estarão sempre à procura de novos mundos, como nós estamos agora.”
“Não para sempre,” disse Jerrodd, com um sorriso. “A migração vai terminar um dia, mas não antes de bilhões de anos. Muitos bilhões. Até as estrelas têm um fim, você sabe. A entropia precisa aumentar.”
“O que é entropia, papai?” Jerrodette II perguntou, interessada.
“Entropia, meu bem, é uma palavra para o nível de desgaste do Universo. Tudo se gasta e acaba, foi assim que aconteceu com o seu robozinho de controle remoto, lembra?”
“Você não pode colocar pilhas novas, como no meu robô?”
“As estrelas são as pilhas do universo, querida. Uma vez que elas estiverem acabadas, não haverá mais pilhas.”
Jerrodette I se prontificou a responder. “Não deixe, papai. Não deixe que as estrelas se apaguem.”
“Olha o que você fez,” sussurrou Jerrodine, exasperada.
“Como eu ia saber que elas ficariam assustadas?” Jerrodd sussurrou de volta.
“Pergunte ao Microvac,” propôs Jerrodette I. “Pergunte a ele como acender as estrelas novamente.”
“Vá em frente,” disse Jerrodine. “… ele vai aquietá-las.” (Jerrodette II já estava começando a chorar)
Jerrodd se mostrou incomodado. “Bem, bem, meus anjinhos, vou perguntar ao Microvac. Não se preocupem, ele vai nos ajudar.”
Ele fez a pergunta ao computador, adicionando “imprima a resposta”.
Jerrodd olhou para a o fino pedaço de papel e disse, alegremente: “Viram? Microvac disse que irá cuidar de tudo quando a hora chegar, então não há porque se preocupar.”
Jerrodine disse: “E agora crianças, é hora de ir para a cama. Em breve nós estaremos em nosso novo lar.”
Jerrodd leu as palavras no papel mais uma vez antes de destruí-lo: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
Ele deu de ombros e olhou para o televisor, X-23 estava logo à frente.
* * *
VJ-23X de Lameth fixou os olhos nos espaços negros do mapa tridimensional em pequena escala da Galáxia e disse: “Me pergunto se não é ridículo nos preocuparmos tanto com esta questão.”
MQ-17J de Nicron balançou a cabeça. “Creio que não. No presente ritmo de expansão, você sabe que a galáxia estará completamente tomada dentro de cinco anos.”
Ambos pareciam estar nos seus vinte anos, ambos eram altos e tinham corpos perfeitos.
“Ainda assim,” disse VJ-23X, “… hesitei em enviar um relatório pessimista ao Conselho Galáctico.”
“Eu não consigo pensar em outro tipo de relatório. Agite-os; ós precisamos chacoalhá-los um pouco.”
VJ-23X suspirou. “O espaço é infinito. Cem bilhões de galáxias estão a nossa espera. Talvez mais.”
“Cem bilhões não é o infinito, e está ficando menos ainda a cada segundo. Pense! Há vinte mil anos, a humanidade solucionou pela primeira vez o paradigma da utilização da energia solar, e, poucos séculos depois, a viagem interestelar tornou-se viável. A humanidade demorou um milhão de anos para encher um mundo pequeno e, depois disso, quinze mil para abarrotar o resto da galáxia. Agora a população dobra a cada dez anos.”
VJ-23X interrompeu. “Devemos agradecer à imortalidade por isso.”
“Muito bem. A imortalidade existe e nós devemos levá-la em conta. Admito que ela tenha o seu lado negativo. O AC Galáctico já solucionou muitos problemas, mas, ao fornecer a resposta sobre como impedir o envelhecimento e a morte, sobrepujou todas as outras conquistas.”
“No entanto, suponho que você não gostaria de abandonar a vida.”
“Nem um pouco.” Respondeu MQ-17J, emendando. “Ainda não. Eu não estou velho o bastante. Você tem quantos anos?”
“Duzentos e vinte e três, e você?”
“Ainda não cheguei aos duzentos. Mas, voltando à questão; a população dobra a cada dez anos, uma vez que esta galáxia estiver lotada, haverá uma outra cheia dentro de dez anos. Mais dez e teremos ocupado por inteiro mais duas galáxias. Outra década e encheremos mais quatro. Em cem anos, contaremos mais de mil galáxias transbordando de gente. Em mil anos, milhões de galáxias. Em dez mil, todo o universo conhecido. E depois?”
VJ-23X disse: “Além disso, há um problema de transporte. Eu me pergunto quantas unidades de energia solar serão necessárias para movimentar as populações de uma galáxia para outra.”
“Boa questão. No presente momento, a humanidade consome duas unidades de energia solar por ano, da qual a maior parte é desperdiçada. Afinal, nossa galáxia sozinha produz mil unidades de energia solar por ano e nós aproveitamos apenas duas.”
“Certo, mas mesmo com 100% de eficiência, podemos apenas adiar o fim. Nossa demanda energética tem crescido em progressão geométrica, de maneira ainda mais acelerada do que a população. Ficaremos sem energia antes mesmo que nos faltem galáxias. É uma boa questão. De fato uma ótima questão.”
“Nós precisaremos construir novas estrelas a partir do gás interestelar.”
“Ou a partir do calor dissipado?” perguntou MQ-17J, sarcástico.
“Pode haver algum jeito de reverter a entropia. Nós devíamos perguntar ao AC Galáctico.”
VJ-23X não estava realmente falando sério, mas MQ-17J retirou o seu comunicador AC do bolso e colocou na mesa diante dele.
“Parece-me uma boa idéia.” ele disse. “É algo que a raça humana terá de enfrentar um dia.”
Ele lançou um olhar sóbrio para o seu pequeno comunicador AC. Tinha apenas duas polegadas cúbicas e nada dentro, mas estava conectado através do hiperespaço com o poderoso AC Galáctico que servia a toda a humanidade. O próprio hiperespaço era parte integral do AC Galáctico.
MQ-17J fez uma pausa para pensar se algum dia em sua vida imortal teria a chance de ver o AC Galáctico. A máquina habitava um mundo dedicado, onde uma rede de raios de força emaranhados alimentava a matéria dentro da qual ondas de submésons haviam tomado o lugar das velhas e desajeitadas válvulas moleculares. Ainda assim, apesar de seus componentes etéreos, o AC Galáctico possuía mais de mil pés de comprimento.
De súbito, MQ-17J perguntou para o seu Comunicador-AC, “Poderá um dia a entropia ser revertida?”
VJ-23X disse, surpreso: “Oh, eu não queria que você realmente fizesse essa pergunta.”
“Por que não?”
“Nós dois sabemos que a entropia não pode ser revertida. Você não pode construir uma árvore de volta a partir de fumaça e cinzas.”
“Existem árvores no seu mundo?” Perguntou MQ-17J.
O som do AC Galáctico fez com que silenciassem. Sua voz brotou melodiosa e bela do pequeno comunicador AC em cima da mesa. Dizia: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
VJ-23X disse, “Viu?”
Os dois homens retornaram à questão do relatório que tinham de apresentar ao Conselho Galáctico.
* * *
A mente de Zee Prime navegou pela nova galáxia com um leve interesse nos incontáveis turbilhões de estrelas que pontilhavam o espaço. Ele nunca havia visto aquela galáxia antes. Será que um dia conseguiria ver todas? Eram tantas, cada uma com a sua carga de humanidade. Ainda que essa carga fosse, virtualmente, peso morto. Há tempos a verdadeira essência do homem habitava o espaço.
Mentes, não corpos! Os corpos imortais permeneciam nos planetas, em suspensão sobre os eons. Vez ou outra eles se erguiam para realizar atividades materiais, mas isto estava se tornando cada vez mais raro. Poucos novos indivíduos vinham se juntar à multidão incomensurável de humanos, mas o que importava? Havia pouco espaço no universo para novos indivíduos.
Zee Prime deixou seus devaneios para trás ao cruzar com os filamentos emaranhados de outra mente.
“Sou Zee Prime, e você?”
“Dee Sub Wun. E a sua galáxia, qual é?”
“Nós a chamamos apenas de Galáxia. E você?”
“Nós também. Todos os homens chamam as suas Galáxias de Galáxias, não é?”
“Verdade, já que todas as Galáxias são iguais.”
“Nem todas. Alguma em particular deu origem à raça humana. Isso a torna diferente.”
Zee Prime disse: “Em qual delas?”
“Não posso responder, mas o AC Universal deve saber.”
“Vamos perguntar? Estou curioso.”
A percepção de Zee Prime se expandiu até que as próprias Galáxias encolhessem e se transformassem em uma infinidade de pontos difusos a brilhar sobre um largo plano de fundo. Tantos bilhões de Galáxias, todas abrigando seus seres imortais, todas contando com o peso da inteligência em mentes que vagavam livremente pelo espaço. E ainda assim, nenhuma delas se afigurava singular o bastante para merecer o título de Galáxia original. Apesar das aparências, uma delas, em um passado muito distante, foi a única do universo a abrigar a espécie humana.
Zee Prime, imerso em curiosidade, chamou: “AC Universal! Em qual Galáxia nasceu o homem?”
O AC Universal ouviu, pois em cada mundo e através de todo o espaço, seus receptores faziam-se presentes. E cada receptor ligava-se a algum ponto desconhecido onde se assentava o AC Universal através do hiperespaço.
Zee Prime sabia de um único homem cujos pensamentos haviam penetrado no campo de percepção do AC Universal, e tudo o que ele viu foi um globo brilhante difícil de enxergar, com dois pés de comprimento.
“Como pode o AC Universal ser apenas isso?” Zee Prime perguntou.
“A maior parte dele permanece no hiperespaço, onde não é possível imaginar as suas proporções.”
Ninguém podia, pois a última vez em que alguém ajudou a construir um AC Universal jazia muito distante no tempo. Cada AC Universal planejava e construía seu sucessor, no qual toda a sua bagagem única de informações era inserida.
O AC Universal interrompeu os pensamentos de Zee Prime, não com palavras, mas com orientação. Sua mente foi guiada através do espesso oceano das Galáxias, e uma em particular expandiu-se e se abriu em estrelas.
Um pensamento lhe alcançou, infinitamente distante, infinitamente claro. “ESTA É A GALÁXIA ORIGINAL DO HOMEM.”
Ela não tinha nada de especial, era como tantas outras; Zee Prime ficou desapontado.
Dee Sub Wun, cuja mente acompanhara a outra, disse de súbito: “E alguma dessas é a estrela original do homem?”
O AC Universal disse: “A ESTRELA ORIGINAL DO HOMEM ENTROU EM COLAPSO. AGORA É UMA ANÃ BRANCA.”
“Os homens que lá viviam morreram?” perguntou Zee Prime, sem pensar.
“UM NOVO MUNDO FOI ERGUIDO PARA SEUS CORPOS HÁ TEMPO.”
“Sim, é claro.” disse Zee Prime. Sentiu uma distante sensação de perda tomar-lhe conta. Sua mente soltou-se da Galáxia do homem e perdeu-se entre os pontos pálidos e esfumaçados. Ele nunca mais queria vê-la.
Dee Sub Wun disse: “O que houve?”
“As estrelas estão morrendo. Aquela que serviu de berço à humanidade já está morta.”
“Todas devem morrer, não?”
“Sim. Mas quando toda a energia acabar, nossos corpos irão finalmente morrer, e você e eu partiremos junto com eles.”
“Vai levar bilhões de anos.”
“Não quero que isso aconteça nem em bilhões de anos. AC Universal, como a morte das estrelas pode ser evitada?”
Dee Sub Wun disse perplexo: “Você perguntou se há como reverter a direção da entropia!”
E o AC Universal respondeu: “AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
Os pensamentos de Zee Prime retornaram para sua Galáxia. Não dispensou mais atenção a Dee Sub Wun, cujo corpo poderia estar a trilhões de anos luz, ou na estrela vizinha do corpo de Zee Prime. Não importava.
Com tristeza, Zee Prime passou a coletar hidrogênio interestelar para construir uma pequena estrela para si. Se as estrelas devem morrer, ao menos algumas ainda podiam ser construídas.
* * *
O Homem pensou consigo mesmo, pois, de alguma forma, ele era apenas um. Consistia de trilhões, trilhões e trilhões de corpos muito antigos, cada um em seu lugar, descansando incorruptível e calmamente, sob os cuidados de autômatos perfeitos, igualmente incorruptíveis, enquanto as mentes de todos os corpos haviam escolhido fundir-se umas às outras, indistintamente.
“O Universo está morrendo.”
O Homem olhou as Galáxias opacas. As estrelas gigantes, esbanjadoras, há muito já não existiam. Desde o passado mais remoto, praticamente todas as estrelas consistiam-se em anãs brancas, lentamente esvaindo-se em direção a morte.
Novas estrelas foram construídas a partir da poeira interestelar, algumas por processo natural, outras pelo próprio Homem, e estas também já estavam em seus momentos finais. As Anãs brancas ainda podiam colidir-se e, das enormes forças resultantes, novas estrelas nascerem, mas apenas na proporção de uma nova estrela para cada mil anãs brancas destruídas, e estas também se apagariam um dia.
O Homem disse: “Cuidadosamente controlada pelo AC Cósmico, a energia que resta em todo o Universo ainda vai durar por um bilhão de anos.”
“Ainda assim, vai eventualmente acabar. Por mais que possa ser poupada, uma vez gasta, não há como recuperá-la. A entropia precisa aumentar ao seu máximo.”
“Pode a entropia ser revertida? Vamos perguntar ao AC Cósmico.”
O AC Cósmico cercava-os por todos os lados, mas não através do espaço. Nenhuma parte sua permanecia no espaço físico. Jazia no hiperespaço e era feito de algo que não era matéria nem energia. As definições sobre seu tamanho e natureza não faziam sentido em quaisquer termos compreensíveis pelo Homem.
“AC Cósmico,” disse o Homem, “… como é possível reverter a entropia?”
O AC Cósmico disse, “AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
O Homem disse: “Colete dados adicionais.”
O AC Cósmico disse: “EU O FAREI. TENHO FEITO ISSO POR CEM BILHÕES DE ANOS. MEUS PREDECESSORES E EU OUVIMOS ESTA PERGUNTA MUITAS VEZES, MAS OS DADOS QUE TENHO PERMANECEM INSUFICIENTES.”
“Haverá um dia,” disse o Homem “… em que os dados serão suficientes ou o problema é insolúvel em todas as circunstâncias concebíveis?”
O AC Cósmico disse: “NENHUM PROBLEMA É INSOLÚVEL EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS CONCEBÍVEIS.”
“Você vai continuar trabalhando nisso?”
“VOU.”
O Homem disse: “Nós iremos aguardar.”
* * *
As estrelas e as galáxias se apagaram e morreram, o espaço tornou-se negro após dez trilhões de anos de atividade.
Um a um, o Homem fundiu-se ao AC, cada corpo físico perdendo a sua identidade mental, acontecimento que era, de alguma forma, benéfico.
A última mente humana parou antes da fusão, olhando para o espaço vazio a não ser pelos restos de uma estrela negra e um punhado de matéria extremamente rarefeita, agitada aleatoriamente pelo calor que aos poucos se dissipava, em direção ao zero absoluto.
O Homem disse: “AC, este é o fim? Não há como reverter este caos? Não pode ser feito?”
O AC disse: “AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
A última mente humana uniu-se às outras e apenas o AC passou a existir, ainda assim, no hiperespaço.
* * *
A matéria e a energia se acabaram e, com elas, o tempo e o espaço. AC continuava a existir apenas em função da última pergunta que nunca havia sido respondida, desde a época em que um técnico de computação embriagado, há dez trilhões de anos, a fizera para um computador que guardava menos semelhanças com o AC do que o homem com o Homem.
Todas as outras questões haviam sido solucionadas, e até que a derradeira também o fosse, AC não poderia desprender sua consciência.
A coleta de dados havia chegado ao seu fim. Não havia mais nada para aprender. No entanto, os dados obtidos ainda precisavam ser cruzados e correlacionados de todas as maneiras possíveis.
Um intervalo imensurável foi gasto neste empreendimento. Finalmente, o AC descobriu como reverter a direção da entropia.
Não havia homem algum para quem o AC pudesse dar a resposta final. Mas não importava. A resposta, por definição, também tomaria conta disso. Por outro incontável período, o AC pensou na melhor maneira de agir. Cuidadosamente, ele organizou o programa.
A consciência do AC abarcou tudo o que um dia foi um Universo e tudo o que agora era o Caos. Passo a passo, isso precisava ser feito.
Então o AC disse: “FAÇA-SE A LUZ!”
E fez-se a luz…”
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